Norma Santi
— Para! Para!
— Quequi foi agora?
— Acho que furou.
— Como assim?
— Olha só, tá murchando!
— Ih! Acho que foi mesmo.
— E agora?
— Agora o quê?
— O que digo pra minha mãe?
— Diz que foi um acidente.
— Acho que ela não vai entender.
...
— Já que furou vamos tentar de novo?
— Não dá, murchou.
— Mas se a gente tentar pode ser que endureça...
— Sei não...
— Olha só, eu seguro e você coloca o bagulho no fundo.
— Tá, acho que foi...
— Agora tem que bombar.
— Tô tentando, mas não tá deslizando!
— Dá uma cuspidinha no buraquinho e tenta de novo.
— Aixxxx!
— O que foi?
— Agora que ficou duro de vez!
— Então tá funcionando. Não para agora!
— Tô tentando, tô tentando, mas o braço tá doendo...
— Bomba mais rápido, mais rápido, isso, não desiste, tá quase...
— Não vou agüentar.
— Só mais um pouquinho...
— Puff, pufff, puffff
— Foi!
— Foi nada, olha só, ficou mole de novo. Suei à toa!
— Agora que não funciona nunca mais pô, tinha que ter tentando com um tipo fole.
— É.
— É o que?
— Nada, vou colocar minha camisa...
...
— Vamos indo?
— Nos encontramos de novo amanhã?
— Outra pelada?
— É
— Pode ser, mas você vai ter que trazer a bola.
— Ok!
— Vou lá encarar a velha.
— Até amanhã Perdido!
— Valeu Rangel!

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