No centro Maria, olhando para as mãos de todos. Menos de Antonio, que há dois dias padece de ponta-cabeça. Umas flores plásticas no meio, um véu vermelho. Inocentes anjos barrocos. Um pouco mais à esquerda e o galo de Exu se esquiva do rabo do dragão de Jorge. Ao fundo, colado na parede, Cristo de olhos azuis recortado do calendário de alguns anos. Iluminando a todos velas brancas e um rosário fluorescente. Fleur de Rocaille pra Iemenjá. A senhora de todos os dias faz sinal da cruz e se despede. Fecha a portinhola de madeira que protege seu altar. Olha para os dois lados. Espremida na mão, a ponta do vestido. Na confusão da despedida respiram aliviados anjos e santos. Menos Antonio, impedido de operar o milagre de unir a alma daqui com a alma de lá. Sopra um brisa. Revira-se o Santinho de Bárbara a tempo de acalmar a tempestade que se aproxima.
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2 comentários:
Lindo, lindo! Um jeito de retratar gente, lugar e sentimento com a delicadeza da poesia. Gostei demais! Bjks.
Oi, norminha, não pense que eu esqueci de você. Tenho acompanhado teu trabalho quase diariamente, como sempre.Esse texto tá incrível.Parabéns! Bjs.....
chico
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